Pesquisas
Na barbearia do Mano Belo o debate político preenche o ambiente de maneira acalorada. Eleitores (e não eleitores) com matrizes ideológicas e não buscam entender porque as pesquisas realizadas no mesmo período em contextos iguais apresentam resultados diferentes. Porque em algumas tabulações, no primeiro turno, Lula lidera com 35/38 pontos percentuais, enquanto Flávio alcança 29/30 e outros concorrentes estacionam entre 2 a 4%. No entanto, em episódios de segundo turno todos os candidatos se apresentam em empate técnico na casa dos 35 pontos percentuais.
Assim, o professor de metodologia aplicada da UFRJ, Marcelo Antão, passa a nos oferecer uma visualização didática da questão. - Quando as pesquisas se realizam no mesmo contexto e com o mesmo objetivo, mas chegam a resultados distintos, a explicação geralmente está na variação de fatores metodológicos, comportamentais ou sistêmicos. Esse fenômeno ocorre tanto na pesquisa científica/acadêmica quanto nas buscas em ambientes digitais.
Mesmo buscando o mesmo objetivo, dois estudos raramente usam a mesma amostra exata. Diferenças no tamanho da amostra, nos critérios de inclusão/exclusão ou na seleção demográfica alteram o resultado final. O método de coleta (questionários abertos, fechados, entrevistas presenciais ou online, experimentos de laboratório ou de campo) e a calibração das ferramentas alteram a percepção e a resposta dos participantes. Assim como, fatores ambientais, contextuais e temporais não controlados durante a execução da pesquisa podem interferir diretamente nos dados recolhidos. Continua o professor Antão. O enquadramento teórico do pesquisador e o modelo estatístico escolhido para analisar os dados brutos influenciam as conclusões extraídas.
Outros fatores que influenciam nos resultados finais da pesquisa têm relação com a localização geográfica (um candidato tem mais entradas no nordeste, outro no sul), tipo de dispositivo e preferências do usuário, assim como atualizações de indexação e variações de ranking em tempo real. Variações na ordem das palavras, pontuação ou sinônimos mudam o entendimento semântico do mecanismo da coleta de dados.
Sendo assim, o professor Marcelo recomenda que os levantamentos sejam interpretados em razão dos fatores metodológicos e critérios (localização, gênero dos entrevistados, faixa etária, escolaridade, renda, religião) da coleta dos dados, além de observar dados intermediários (número de entrevistados por gêneros, margem de erro, aceitação e rejeição, ocorrências pessoais) para que as conclusões se aproximem da realidade momentânea. Que DEUS e os Orixás nos protejam.
Adelmo Borges dos Santos adelmook@gmail.com
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8agosto2026