As urnas de outubro e o duro aprendizado para Caetano e Elinaldo
Vencedor e derrotado precisam encarar a lição e corrigir os erros
Lições As urnas de domingo (25) deixaram aprendizados que os dois grupos que disputam e se alternam no poder político em Camaçari vão precisar aprender, refazer e repensar. Para o representante dos vencedores no município, o alcaide Luiz Caetano (PT), que já tinha o governador reeleito e agora o presidente da República por mais 4 anos, a tarefa não será mais fácil que a de seu adversário, Antonio Elinaldo (União). Apesar de aprovado nas urnas o ex-alcaide fechou a prova com nota baixíssima.
Lições 2 Caetano vai precisar colocar a gestão para andar e sair do marasmo desses dois primeiros anos do seu mandato 04, se quiser chegar em 2028 em condições vantajosas para um 5º mandato, ou com caminho pavimentado para fazer o sucessor.
Lições 3 Bafejado agora pelo efeito Lula que também lhe assegurou uma votação expressiva para seus candidatos e companheiros de legenda nas proporcionais do primeiro turno, o petista festejou, mas sabe a pontuação real. Não pode atribuir aos feitos desses dois anos da atual gestão a expressiva votação de quase 52 mil votos no município para a reeleição da esposa, a deputada federal Ivoneide Caetano.
Lições 4 Na mesma lógica também se inclui os quase 41 mil votos para e eleição de outro companheiro de legenda, o atual vereador Tanger Cerqueira, para a Assembleia Legislativa. Essas vitórias vieram da força de Lula e da máquina que operou em alta no primeiro turno no município. Seguramente passaram longe da retribuição do eleitor pelas entregas da gestão nesses primeiros 21 meses de governo.
Lições 5 A permanência do acesso aos palácios de Ondina e do Planalto não é a varinha mágica para as soluções dos seus problemas de gestão. A nova conjuntura econômica do país e do estado, a partir de 2027, não vai lhe garantir folga com o governador Jerônimo, muito menos com Lula, envolvidos num cipoal de contas que não fecharam e que precisam de solução. Caetano vai ter de mostrar serviço com o seu secretariado, pondo em prática o que se imagina ter planejado, mas ainda pouco visto.
Lições 6 Se, para o petista, os próximos anos não serão fáceis com os padrinhos no Estado e União, para o ex-alcaide o jogo segue ainda mais duro e exigindo movimentos mais precisos e com menos erros. Mesmo eleito deputado estadual com uma das maiores votações, Elinaldo não terá a mobilidade com as bases que construiu pelo estado sem o governador aliado que imaginava eleger.
Lições 7 Também sem o presidente como aliado fica longe das benesses dos cargos e vai precisar planejar um mandato de oposição firme, ao mesmo tempo propositivo sobre as questões estaduais e nacionais.
Lições 8 Voltar às ruas da sua Camaçari, coisa que não fez durante a campanha de deputado, e que resultou na pífia votação no seu principal reduto e território que governou por dois mandatos. Os pouco mais de 23 mil votos, quase metade dos somados pelo adversário Tagner, no mesmo colégio eleitoral, não apenas atestaram uma estratégia errada. Deixou o ex-alcaide menor.
Lições 9 O dever de casa agora e juntar os cacos da derrota, rever os rascunhos e construir um novo caminho com a sua base aliada, seguramente menor depois das eleições do primeiro turno. Essa parece ser a sua primeira caligrafia nesse novo caderno de ano novo.
Lições 10 Liderado do ex-alcaide de Salvador, ACM Neto, Elinaldo vai precisar mergulhar em Camaçari e reconstruir sua base de apoios que descuidou com as eleições de deputado. A sua votação em Camaçari mostrou que o salto alto e o escudo de ´sabe tudo´ na política foram decisivos na queda e na reprovação.
Lições 11 Como já comentou a Coluna, tarefa mais imediata é a eleição da Mesa da Câmara de Vereadores. Nesse dever de casa a primeira lição será sua capacidade de segurar os 12 dos 23 votos da Casa para conseguir mantar o comando do Legislativo no próximo biênio (2027/2028). Nessa missão terá de coordenar a construção de um nome entre os vereadores (por ordem alfabética): Dr Natan (PSDB), Dr Samuka (PRD), Herbinho (União) e Jackson (União). Esses são os alunos mais dedicados no elinaldismo que se apresentam para suceder o presidente e aliado Niltinho Maturino (PRD).
Lições 12 Já na equipe do alcaide Caetano a animação é geral. Com o vereador Tagner Cerqueira na Assembleia, ao menos quatro nomes aparecem com destaque. O vereador Dilson Magalhaes (PP) é tido como o 02 na disputa com a ascensão de Tagner. Segundo apurou a Coluna, essa teria sido uma das condições do ex-alinaldista ao migrar para a campanha de Caetano em 2024.
Lições 13 Os outros cotados para a disputa é Ivandel Pires (ex-União), Kaique Ara (PT), e o atual secretário de esportes, Teo Ribeiro (PT). Como primeiro suplente de vereador, Teo precisa da renúncia de Tanger, antes das eleições da mesa, previstas para dezembro, para se habilitar na disputa.
Lições 14 A dúvida é se Teo, ex-presidente do Legislativo e com a experiência de 4 mandatos é o perfil que Caetano deseja para a missão de aluno que nunca desobedece o mestre.
Lições 15 Nessa disputa, o desfecho favorável para o petista passa por garantias de desejos e bons lugares para que consiga convencer ao menos um vereador da base oposicionista a mudar de farda. Maioria vai avaliar se é melhor deixar a sala do jeito que está com Elinaldo e sem interferência na ´dinâmica` da operação do Legislativo. Ou arriscar mudar a ordem no comando do segundo orçamento do município.
Lições 16 No vestibular do perde e ganha das eleições encerradas neste domingo (25), o vereador Jamesson Silva (PL), mesmo com a derrota do seu candidato e companheiro de legenda, Flávio Bolsonaro, sai maior politicamente.
Lições 17 Conseguiu liderar uma mobilização com colegas do Legislativo a cesta de apoios ao projeto conservador com a campanha antipetista em mais de 5 mil votos.
Lições 18 Goste ou não, Jamesson amplia seu espaço e se destaca na disputa política no campo oposicionista da direita em Camaçari.
João Leite Filho joaoleite01@gmail.com – Editor
26outubro2026 Fechamento: 17h05