Aprenderam a fazer promessas e esqueceram de valorizar quem ensina
Ao completar duas décadas no poder, o grupo político que fez da educação sua principal bandeira paga um dos menores salários iniciais aos professores do Brasil
Em 2026, o PT completa vinte anos à frente do Governo da Bahia. Tempo suficiente para transformar promessas em resultados, discursos em políticas públicas e projetos em legado. Mas, quando o assunto é valorização dos professores, os números contam uma história bem diferente daquela apresentada nos palanques.
Levantamento do Movimento Profissão Docente (clique) mostra que o salário inicial de um professor da rede estadual baiana é de R$ 4.965,24, um dos menores do Brasil. No Mato Grosso do Sul, o mesmo profissional inicia a carreira recebendo R$ 13.007,12. A diferença ultrapassa 160%. Mais do que isso: estados como Maranhão, Pará e Roraima também remuneram melhor seus docentes do que a Bahia.
Não se trata apenas de cumprir o piso nacional do magistério. Trata-se de definir quanto vale o profissional responsável por formar as futuras gerações. Um governo que fez da educação sua principal bandeira política deveria liderar esse ranking, não ocupar sua parte inferior.
O contraste torna-se ainda mais evidente porque o atual governador, Jerônimo Rodrigues, foi secretário estadual da Educação antes de assumir o comando do Estado. Era esperado que alguém com essa trajetória deixasse como marca uma política consistente de valorização dos professores e de melhoria dos indicadores educacionais. No entanto, a realidade continua distante da narrativa construída ao longo de duas décadas.
O cenário se torna ainda mais preocupante quando se observa que a Bahia também enfrenta graves desafios na segurança pública, figurando repetidamente entre os estados com os maiores índices de violência do país. Educação e segurança são justamente as áreas que mais influenciam o presente e o futuro de uma sociedade. Depois de vinte anos governando o Estado, já não há espaço para transferir responsabilidades a gestões passadas.
Naturalmente, salário não é o único indicador da qualidade da educação. Mas é um dos mais importantes sinais de prioridade política. Quem acredita que a educação transforma vidas precisa demonstrar isso na prática, valorizando aqueles que fazem essa transformação acontecer diariamente dentro das salas de aula.
A eleição de 2026 será, acima de tudo, um julgamento desse ciclo de vinte anos. O eleitor baiano terá a oportunidade de decidir se os resultados entregues correspondem às promessas feitas desde 2007. Porque governos devem ser avaliados não pela força de seus discursos, mas pela consistência de suas entregas. E, quando o assunto é valorização dos professores, os números falam mais alto que qualquer slogan.
José Américo Moreira da Silva zamerico1961@gmail.com é jornalista, publicitário, baiano radicado em Brasília
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8julho2026