Busca:

  Notícia
 
ZEDEJESUSBARRETO NO COLUNISTAS: As Copas no Brasil e na Rússia


José de Jesus Barreto é jornalista, pesquisador, autor de livros e escrevinhador

Humilhação em casa e cai-cai na Rússia


“Não há raciocínio possível contra a goleada cósmica” (Nelson Rodrigues) Único país com cinco títulos mundiais conquistados, na bola (Suécia/58, Chile/62, México/70, Estados Unidos/94, Japão e Coreia em 2002), quedamos ainda e para sempre envergonhados com a lembrança das copas de 2014/Brasil e 2018 na Rússia. ´Pra esquecer´, diriam; ´Pra nunca esquecer´, digo-lhes. 


Em casa, além dos desatinos e desmandos extracampo, das vaias e xingamentos desrespeitosos das arquibancadas à nossa Presidente(a) Dilma, nos gramados sofremos uma ´goleada cósmica´ (incríveis 7 x 1) da Alemanha num 8 de julho, Mineirão lotado, pelas quartas de final. Uma derrota vergonhosa e humilhante.


Alemanha campeã, passeando em nossa casa. Quatro anos depois, na Rússia de Putin (sim, esse mesmo que invade e bombardeia a Ucrânia do estúpido Zelensky), nos restam na memória as cenas patéticas do ´craque´ Neymar, caindo e rolando pelos gramados a cada choque físico. Ridículo. A nova França, de elenco africanizado e futebol vistoso, campeã em gramados russos. Lá e cá não fomos dignos, não respeitamos a nossa história. 


O verde/amarelo desbotado em 2014 Antes de falar de bola rolando pela segunda Copa do Mundo realizada no Brasil, convém reavivar as cenas de protestos nas ruas das principais capitais do país, em 2013, por conta da crise econômica e sócio-política do governo Dilma/PT. 


Dos absurdos, como a demolição do complexo olímpico da Fonte Nova (Salvador-Bahia), a corrupção desenfreada em obras inacabadas e bur(r)ocracias criadas em função do evento esportivo, empreguismo puro, mais as recauchutagens e as construções bilionárias, superfaturadas das tais ´Arenas´ (palavrinha que nos remete ao circo de horrores da Roma Antiga) Brasil afora – como as reformas do Maracanã, Mineirão, Castelão, Arena da Baixada, Beira Rio... A construção do Mané Garrincha/Brasilia, da Fonte Nova/Salvador, do Itaquerão/SP, das arenas Amazonas, Pernambuco, Pantanal, Dunas... a custos inalcançáveis, muita treta ilícita. Até hoje pagamos caro por essas tretas que engordaram o bolso e os cofres de alguns. Escândalos! 


Em campo, além do desastre da Seleção Brasileira comandada por Felipão (os 7 x 1), aconteceram coisas interessantes, até exemplares, como a organização, planejamento e performance dos Alemães, campeões mundiais pela quarta vez, com uma campanha irretocável, futebol coletivo e uma geração de craques, como o goleiro Neuer, Lahm, Hummels, Boateng, Müller, Ozil, Kross, Khedira, Klose, Goetze e um extraordinário meio-campista de nome Schweinsteiger. O técnico era Joachim Löw, aquele que a TV flagrava tirando melecas do nariz e comendo. 


Goleadas na Fonte Com o Axé baiano, o palco da nova arena, em Salvador, ganhou a alcunha de a ´fonte dos gols´ na Copa. Aconteceram jogos e goleadas fantásticas no novo gramado do “Octávio Mangabeira”, a Fonte Nova do povo, como aquela imprevista goleada no clássico europeu - Holanda 5 x 1 Espanha. A Espanha era a Campeã do Mundo (2010) e o atacante holandês Van Persie fez, de cabeça, num voo cinematográfico, um dos gols plasticamente mais bonitos que já vimos. A França goleou (5 x 2) a Suíça; a Alemanha enfiou 4 x 0 em Portugal (com o CR7) e a desconhecida Bósnia fez 3 x 1 no Irã. Gols à beça, ecoando, e os Orixás do Dique do Tororó abençoando. 


Vampiresco Em Natal, no dia de São João (24 de junho), aconteceu o lance inusitado de Luizito Suarez, o dentuço centroavante artilheiro do Uruguai, que (certamente provocado) mordeu o ombro (quase o pescoço) do zagueiro italiano Chiellini. Ficaram na pele do becão as marcas do ‘vampiro’, que foi expulso de campo, mas acabou recebido como ‘heroi’, em Montevidéu, pela dentada dada. No jogo, Itália 1 x 0 Uruguai. 


Agruras canarinhas Quanto à Seleção Brasileira, além dos inesquecíveis 7 x 1, lembremos também a choradeira e o amarelão de alguns dos nossos jogadores, acabado o jogo Brasil 1 x 1 Chile, pelas oitavas de final, com direito a prorrogação. Passamos sufoco, a trave nos salvou, e fomos para uma decisão em cobrança de pênaltis (tiros livres da marca penal). Nervos à flor da pele, pressão das arquibancadas, alguns pipocaram, arriados em lágrimas, sentados no gramado; até recusaram-se a cobrar as penalidades. 


Mesmo assim, passamos pelo Chile, por sorte. Mas perderíamos o craque Neymar (que vinha fazendo alguma diferença em campo) no jogo seguinte, contra a boa e dura Colômbia do astro James Rodrigues, em Fortaleza, dia 4 de junho. Vencemos, no empurrão da torcida, por 2 x 1, com gols de zagueiros (Tiago Silva e David Luiz), mas deixamos o campo com duas baixas significativas, comprometedoras: - A suspensão do zagueiro e capitão Tiago Silva, o chorão, por cartões amarelos, e Neymar quebrado, quase inutilizado por uma joelhada maldosa do lateral Zuñiga, por volta dos 40min da segunda etapa. 


Foi então que o treinador Felipão se perdeu. Sem poder contar com seu principal jogador, o único ‘diferenciado’ da equipe, e sem o seu principal zagueiro e capitão, nosso treinador decidiu pela escalação do quarto-zagueiro baiano Dante, que atuava na Alemanha à época, ao lado do meio aloprado David Luiz, deslocado para o lado direito. Foi fatal, a dupla nunca tinha jogado junto.


Um desencontro em campo. Na frente, para substituir Neymar, o treinador optou pelo pequeno e apagado Bernard, que pouco tocou na bola, bem vigiado pelos grandalhões germânicos. Sem poder ofensivo, com um meio-campo sem pegada, perdido, entregamos a bola aos alemães e... aconteceu o apagão geral. A goleada parou nos sete gols porque os alemães,  espeitosamente, decidiram aliviar no segundo tempo. 


A festa alemã Na final, Alemanha 1 x 0 Argentina, com gol de Göetze, um reserva, na prorrogação.Os argentinos, nada bobos, viram e avaliaram a desgraceira dos 7 x 1 e entraram bem precavidos, fechadinhos, povoando o meio de campo, marcando duro, apostando num contragolpe ou numa jogada genial do jovem Messi. O guerreiro meio-campista Mascherano jogou muito, fez uma Copa destacada. Mas os europeus foram melhores.


O triunfo alemão foi justo, até pela campanha inteira da equipe, o futebol coletivo inteligente e objetivo mostrado. Até fora dos gramados a postura alemã foi elogiável. 


A França ´negona´ Campeã Nos gramados da Rússia do autoritário Putin, em 2018, quem brilhou foi a equipe euro-africana da França – dos ‘negões’ Umtiti, Sidibe, Mendy, Kanté, Matuidi, um meio-campista principesco de nome Pogba e um jovem artilheiro chamado Mbappé.


Sagraram-se Bicampeões do Mundo (dois títulos franceses), jogando um futebol vistoso, ofensivo. A final foi um belo duelo de seis gols, 4 x 2 sobre a Croácia do baixinho Modric, ótimo meio-campista, eleito ‘o craque da Copa’. Uma escolha discutível, diante do que jogaram os campeões Pogba e Griezmann. 


Foi uma competição de bons jogos e surpresas, como as bonecas ´matrioskas´- tradição cultural russa –. regalos que se multiplicam quando vamos abrindo. Surpresas boas como o bom futebol das seleções da Croácia, da Bélgica; e também o fiasco dos sul-americanos, o uso pela primeira vez do VAR. No mais a diversidade cultural da imensa Rússia (européia, asiática, islâmica, anglicana, siberiana...), a lembrança do astronauta Gagárin, pioneiro da conquista espacial, e do ‘aranha negra’ Yashin, goleiro e exemplo de atleta - heróis nacionais. Os belos estádios e a onipresença do aparelho do Estado em tudo. Uma nação de rica tradição e modernidade, de rebeldias, rikgores e preconceitos... 


A nova Rússia de Putin, muito prazer!...”O Mikhail Gorbachev conseguiu fazer uma transição gradativa para um estatal capitalismo sem sangue, sem conflitos maiores. Hoje vejo que ele foi um gênio nesse processo, vendo de perto o protofascismo que Putin jura ser uma democracia. Na Rússia tudo é extremo, sem meio termo para nada. É um país complexo, que talvez só o russo entenda, extremamente homofóbico e racista, que mata negros, gays e jornalistas. 


Além da corrupção permear todos os escalões, o ‘jeitinho’ deles é ensinado nas escolas. O russo tem um quê de brasileiro. Depois da amizade feita, já está com a vodka na mão, doando um rim, mesmo sem precisar”. (o texto, da época, é do jornalista russo Andrei Yuriovitch, bem ilustrativo) 


Nossa seleção encalhou Patinamos, desde o começo, com o ridículo cai-cai e rola-rola de Neymar nos gramados, a simular faltas, exagerando no dolorido do corpo a corpo, presepadas que geraram ´memes´, comentários e manchetes depreciativas mundo afora. O futebol brasileiro, até pelo seu histórico nas copas, não merecia. O treinador Tite, ´o pastor´, que bancou a presença do atleta, teve sua culpa; levou Neymar (tornozelo bichado) e o lateral Marcelo (problemas na coluna) meio lesionados e os pôs a jogar. 


Comprometeram. Estreamos empatando (1 x 1) com a retrancada Suíça, em Rostov, 17 de junho. Classificamos na primeira fase, de grupos, sem brilho, com vitórias sobre a Costa Rica e a Sérvia (2 x 0 nos dois jogos). Fizemos nosso melhor jogo nas oitavas, 2 x 0 sobre o guerreiro México, mas...


Atolamos, caímos (2 x 1) nas quartas de final para a Bélgica de Courtois, De Bruynne, Lukaku, Company, Fellaini e Harzard. Não vimos cor da bola no primeiro tempo, quando levamos 2 x 0, gols de Lukaku e De Bruynne. Renato Augusto, de cabeça, diminuiu aos 30min do segundo tempo. Os belgas jogaram mais.


Só pra lembrar, nosso goleiro era Álisson, a zaga tinha Marquinhos e Tiago Silva; Danilo e Marcelo nas laterais, Casemiro no meio de campo, e Neymar (ainda jovem) na frente. Esses nomes (menos Tiago) vão estar na Copa de 2026, essa que está nas bocas - nos EUA/Mexico/Canadá-, agora envelhecidos. De diferente mesmo, agora, o treinador Ancelotti, rodado e vivido, um vencedor, mas que nunca esteve como treinador numa Copa. 


Mais sobre as Copas do Mundo (1930 a 2022) adquirindo e lendo o livro “Historiando as Copas”, do autor, à venda pela Amazon. 


Zedejesusbarreto José de Jesus Barreto é jornalista, pesquisador, autor de livros, e escrevinhador com larga experiência na imprensa baiana, nacional e com trabalhos fora do país


Opiniões e conceitos expressos nos artigos são de responsabilidade do autor

7junho2026

Mais Notícias

Enem amplia até sexta-feira 12 o prazo de inscrição para as provas 2026
ZEDEJESUSBARRETO NO COLUNISTAS: As Copas no Brasil e na Rússia
Inflação da Copa aumenta custos para o torcedor que deseja assistir os jogos fora de casa
ADELMO BORGES NO COLUNISTAS: O político não é o Camisa-10
JOÃO BORGES NO COLUNISTAS: A dona de todas as águas que ficam antes do mar
Copa do Mundo terá protagonismo da IA e deve injetar cerca de 41 bilhões de dólares no PIB global
WALDECK ORNÉLAS NO COLUNISTAS: A Bahia perde influência sobre seu território
Brasil fica fora da lista das seleções com os elencos mais caros da Copa
JOSÉ AMERICO NO COLUNISTAS: O “Tariflavio” e a sucessão no Brasil
Estados Unidos usam o pix, o STF e o desmatamento para justificar novo tarifaço


inicio   |   quem somos   |   gente   |   cordel   |   política e políticos   |   entrevista   |   eventos & agenda cultural   |   colunistas   |   fale conosco

©2026 Todos Direitos Reservados - Camaçari Agora - Desenvolvimento: EL