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ADELMO BORGES NO COLUNISTAS: O político não é o Camisa-10


Adelmo Borges dos Santos

Política e futebol 


Essa é uma questão que parece piada de boteco, mas que guarda uma reflexão bem profunda. No Brasil, costuma-se dizer que "política, futebol e religião não se discutem", mas a verdade é que a gente passa a vida inteira discutindo os três.


Embora ambos mexam com paixões avassaladoras, torcidas organizadas e rivalidades históricas, existem diferenças fundamentais na estrutura, nas regras e, principalmente, nas consequências de cada um. Ambas prescindem de estrutura organizacional e física, material humano capacitado, planejamento estratégico e visão protagonista.


O objetivo é vencer uma partida marcando gols. É um jogo de soma zero, para um ganhar, o outro obrigatoriamente perde. A política atenta para organizar a sociedade e gerenciar a vida pública, conquistar a confiança da população e estabelecer um modelo de governança e desenvolvimento socioeconômico.


O objetivo ideal deveria ser o bem comum. As regras universais são rígidas e claras. Se a bola passou da linha, é gol. Se o juiz apita, o jogo começa ou para. Na política as leis mudam, as alianças se transformam e as "regras do jogo" são constantemente negociadas.


O impacto das partidas afeta o seu humor e rende piada entre os amigos, no trabalho e nas redes sociais. Por outro lado, as decisões políticas afetam o preço da cesta básica, a qualidade dos serviços públicos essenciais, a segurança, o futuro do seu emprego.


A escolha geralmente é uma herança familiar ou geográfica. Você raramente muda de time ao longo da vida, não importa o quão mal ele jogue. A atividade política deveria ser pragmática e baseada em propostas. Mudar de opinião ou de voto ao longo da vida é sinal de amadurecimento e avaliação de resultados.


O maior problema de uma sociedade acontece quando as pessoas começam a tratar a política exatamente como tratam o futebol. No segundo, o torcedor é fiel até o fim. Ele passa pano para o atacante que joga mal, perdoa a diretoria corrupta e odeia o rival simplesmente pelas cores da camisa. Se o seu time ganha roubado, o torcedor comemora do mesmo jeito.


Na política, o cidadão não pode ser torcedor. Se tratamos os políticos como "ídolos de um clube" e os partidos como "times", deixamos de fiscalizar. O político eleito não é o camisa 10 do seu time; ele é um funcionário público contratado pelo seu voto para administrar o seu dinheiro. Se ele jogar mal, ele não merece cantos de apoio — merece cobrança e, se necessário, demissão na próxima eleição. No futebol, a rivalidade acaba na esquina. Na política, a polarização destrói amizades, divide famílias e paralisa o desenvolvimento de um país. O futebol pode ser considerado a coisa mais importante dentre as menos importantes da vida. Já a política, quer você goste dela ou não, define todas as coisas da sua vida.


Que DEUS e os Orixás nos protejam.


Adelmo Borges dos Santos adelmook@gmail.com   


Opiniões e conceitos expressos nos artigos são de responsabilidade do autor

6junho2026

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