O avanço da bets, os jogos online, renderam um prejuíuzo estimado em cerca de R$ 143,82 bilhões em vendas no varejo brasileiro nos últimos dois anos. Volume, segundo estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC), equivale ao faturamento de vendas de dois natais.
Segundo o levantamento da CNC, que mediu o potencial de dano que os gastos com bets podem causar em diferentes grupos socioeconômicos a utilização de recursos em sites de bets têm causado – embora não sejam a única origem – impactos negativos sobre três aspectos do orçamento familiar no Brasil: o aumento do endividamento total, a inadimplência severa e maior tempo médio para pagamento dos débitos.
O estudo concluiu que o perfil de família mais afetado é o de considerado "renda baixa", que vai de três a cinco salários mínimos. Os homens, pessoas com mais de 35 anos e que tenham como grau de escolaridade o ensino médio completo ou acima são os mais prejudicados. Os homens tendem a se endividar mais em função das bets, além de gastarem mais tempo para quitar suas dívidas.
Já as mulheres não apresentam alterações significativas no total que devem nem na capacidade de pagar quando gastam com apostas. O que muda é o aumento do prazo médio que levam para quitar seus débitos.
Segundo Fabio Bentes, economista-chefe da CNC, uma parcela cada vez mais significativa da renda familiar, que deveria quitar dívidas ou manter a família abastecida, está sendo direcionada para as plataformas de jogos. " O resultado é uma inadimplência muito mais difícil de ser revertida, pois o recurso frequentemente se perde sem gerar patrimônio ou consumo de bens", completa.
Para a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) a relação entre bets e endividamento não é real. Em nota, a entidade lembra que o problema da inadimplência é "histórico e estrutural", impulsionado por fatores como o alto custo do crédito, taxas de juros altas e a pressão do custo de vida sobre o orçamento da população. Entidade lembra que o mercado de bets opera sob regras legais definidas pelo Ministério da Fazenda.
O Brasil é o quinto maior mercado de bets do mundo com mais de R$ 30 bilhões em apostas estimados no mês em março deste ano. O volume mensal de gastos com apostas se aproxima das receitas mensais de todo o setor de planos de saúde privada do Brasil. Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), as operadoras registraram receitas de R$ 391,6 bilhões em 2025, equivalente a R$ 32,6 bilhões por mês.