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Luiz Duplat no Colunistas: A propaganda não resolve o problema do paciente


Luiz Duplat é médico obstetra, especialista em Saúde da Família e ex-secretário de saúde de Camaçari

Anunciar obra é fácil. Rede Social não faz a saúde funcionar 


Quem já teve a responsabilidade de gerir um sistema público de saúde sabe que existe uma diferença enorme entre construir uma unidade de saúde e fazê-la funcionar. 


Construir um hospital, uma policlínica ou um posto de saúde é uma etapa importante. Mas o verdadeiro desafio começa depois da obra pronta: montar equipes, adquirir equipamentos, organizar o acesso ao serviço e garantir sua sustentabilidade, ou seja, o custeio. 


Durante muito tempo, a política brasileira viveu o que cientistas políticos chamam de política da fita de inauguração. A lógica é simples. Obras rendem cerimônia, placa, fotografia, vídeos e discurso. 


Mas os tempos mudaram. Na era da internet e redes sociais surgiu uma nova dinâmica: a política da postagem. Não basta realizar um ato administrativo ou visitar uma obra. É preciso postar. 


Assim, cada etapa de uma obra passa a gerar conteúdo: estudo técnico, licitação, ordem de serviço, visitas. Tudo vira material para redes sociais, com lives, vídeos e imagens captadas por celulares e drones, sempre com autoridades exibindo documentos e anunciando avanços. 


O problema é que essa lógica acaba reforçando um velho dilema da gestão pública: aquilo que gera visibilidade muitas vezes ganha mais espaço do que aquilo que realmente interessa à população, a estrutura e o acesso ao serviço. 


Em Camaçari, quem acompanha o debate público na área da saúde tem observado que a atual gestão vem praticando essa política com frequência, enquanto a população reclama da dificuldade para ter acesso aos serviços de saúde. 


Desde 2024, nas eleições municipais, começaram a aparecer postagens sobre uma Policlínica Regional, com recursos do Novo PAC do Governo Federal. Em seguida, as redes sociais passaram a registrar várias postagens das etapas relacionadas a sua construção, não apenas como agendas institucionais, mas como eventos de comunicação política. Inclusive, outras obras que foram prometidas pela atual gestão, vem cumprindo este ritual. 


Entre anunciar, construir e colocar um serviço em funcionamento existe uma distância considerável. E na saúde essa distância costuma ser ainda maior, porque além do prédio é necessário garantir profissionais, equipamentos, custeio e integração com a rede assistencial existente. 


Na saúde existe uma regra simples, conhecida por qualquer gestor: Prédio não atende paciente. Serviço de Saúde precisa funcionar. Um serviço de saúde só cumpre sua função quando está integrado à rede assistencial, com equipe completa, acesso organizado e financiamento assegurado. E esse trabalho, que exige planejamento e gestão competente, não aparece nas redes sociais. 


Talvez esteja na hora de a sociedade começar a fazer uma pergunta aos governantes. Quando o serviço vai funcionar de verdade? Porque policlínicas, hospitais e unidades de saúde não existem para serem cenários para postagem, e sim para cuidar da vida das pessoas. 


E, curiosamente, não falei na Ponte Salvador – Itaparica, prometida desde 2010 pelo governo estadual, mas que não tem uma estaca fincada, entretanto já foram gastos mais de 720 milhões de reais, somente com propagandas e postagens.


Luiz Duplat duplat.luiz@hotmail.com é médico obstetra, especialista em saúde da família e ex-secretário de saúde de Camaçari


Opiniões e conceitos expressos nos artigos são de responsabilidade do autor

15abril2026

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