Dados do Banco Central (BC) revelam que a cada R$ 1 renegociado no Desenrola Brasil, lançado em 2024, surgiu R$ 1,15 em inadimplência nova. O programa federal repactuou dívidas de 14,8 milhões de pessoas em 24,2 milhões de operações de crédito que, juntas, somavam R$ 53,2 bilhões em inadimplência.
Ainda segundo dados do BC de fevereiro, os calotes na pessoa física cresceram R$ 61 bilhões. Volume representa mais de 15% o total renegociado. Dados atualizados em fevereiro deste ano de 2026 mostram que o sistema bancário soma R$ 171,4 bilhões em operações de crédito com atrasos superiores a 90 dias nos pagamentos.
Especialistas dizem que a realidade dos juros compostos, o chamado jurios sobre juros, terminou inviabilizando o programa. Listam ainda o desequilíbrio profundo entre juros elevados, superoferta de crédito e novos destinos para o orçamento familiar. As maiores queixas são as apostas esportivas.
Quando o Desenrola foi concluído, em maio de 2024, o juro médio praticados nos empréstimos às pessoas físicas era de 52,6% ao ano. Hoje, a taxa média é 10 pontos percentuais maior: 62%. Portanto, famílias estão mais endividadas em operações com juros maiores. Em maio de 2024 a taxa de inadimplência era de 5,5%. Hoje, está em 6,9%.
O endividamento das famílias brasileiras atingiu um recorde histórico em março de 2026, com 80,4% dos lares relatando dívidas. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o número de inadimplentes chegou a 81,7 milhões de pessoas. Número representa metade da população adulta com o CPF negativado.