A "Grande" Rede Global Pum-Pum, a guerra e a pedofilia aclamadas
Assisti à última entrevista coletiva de um alucinado Donald Trump em Live transmitida ao vivo pela agência de notícias Reuters, na qual ele, em tom de evidente blefe, tentava se gabar de ser o grande vitorioso da guerra contra o Irã. Frente às câmaras e a um público ruidoso de jornalistas, o presidente norte-americano expressava cansaço pela continuidade da situação de impasse no Oriente Médio, que ele próprio provocou ao calcular mal o poder de fogo iraniano.
Trump, pressionado pelos conflitos internos dos últimos dias nos Estados Unidos contra as forças de segurança, e também pelas gigantescas manifestações pela sua saída do poder, amarga a acusação de pedofilia, com provas vindas à tona, no Escândalo Epstein de Abuso Sexual de Menores como arma para o seu provável impeachment.
Num esforço deliberado de auto promoção, bradava, como um contraditório todo poderoso, que iria tomar o que é dos outros, nem que para tanto venha a ordenar a matança de todos em ataques inimagináveis com armamento os mais letais possíveis e o firme propósito de destroçar, de reduzir a pó, a terra alheia.
O que assistimos não é novo. Os EUA principalmente quando à frente do governo os republicanos, cometeram crimes terríveis contra povos em seus territórios invadidos. Qualquer semelhança portanto não é mera coincidência em se tratando hoje de delitos com total despudor proclamados na normalidade, embora claramente tipificados no Direito Penal internacional incursos enquanto graves crimes desde o milenar Código de Hamurabi da antiga Mesopotâmia, área que abrangia parte do Irã.
Antes mesmo deste marco existia ainda como freio à barbárie a consensual máxima, nascida da espiritualidade praticada por religiões organizadas, do aqui se faz, aqui se paga dentro de conceitos concebidos do bem versus o mal.
A sofisticação atual do tornar normal crime de guerra e o que a civilização aprendeu não condizente com o que se espera de evolução ética e moral do mundo, agora pleno século XXI, veicula e se organiza em rede ampla de comunicação instantânea com grande potencial de persuasão à base da força, empurrando conteúdos fabricados à conveniência de interesses privados goela a baixo de leitores e da audiência.
A difusão de notícias nas sociedades de forma a desestruturar o que se construiu em benefício da preservação da vida e das boas relações entre povos causa mal enorme ao mundo já não tão globalizado, dividido sob novas oportunidades de realinhamento econômico.
É gritante a falta de reação da grande mídia de países em ascensão até ameaçados pela política da usura trumpista do passar a perna em direitos coletivos, que renega a importância de um pacto social. A consequência desta complacência midiática leva à cumplicidade da violência estampada em manchetes manipuladas em apelos sugestivos para referendar invasões e guerras por motivos torpes.
A humanidade já assistiu a esta subserviência ressuscitada no repeteco da narrativa nazista de meados do século XX.
Angélica Ferraz de Menezes menezesangelicaferraz@gmail.com é jornalista, coordenou pelo Centro de Educação Ambiental São Bartolomeu, o Projeto Alvorada na microrregião de Barra/São Francisco; coordenou os cursos de Meio Ambiente, Combate à Violencia/ Direitos Humanos e de Gestão Social do Centro de Formação Comunitária do Governo Federal na área do São Francisco; foi coordenadora do Projeto Memória Kirimurê da Oscip Centro de Pesquisas e Ações Socioambientais Kirimurê
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10abril2026