O fim da escala de trabalho 6x1 poderá causar um aumento de R$ 23 bilhões nos custos de produção da indústria alimentícia. O número é da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) que deve repassar para o consumidor esse aumento.“Esse valor vai ser repassado para o produto final”, declarou o presidente-executivo da Abia, João Dornellas.
Ainda segundo o dirigente, é possível conciliar "qualidade de vida e atividade econômica", desde que as mudanças na jornada ocorram "com diálogo, previsibilidade e análise de impacto". A população com renda mais baixa pode ser a mais afetada diretamente , completou.
Atualmente, três PECs (Propostas de Emenda à Constituição) sobre o fim da 6x1 tramitam no Congresso. O projeto mais avançado prevê redução das atuais 44 horas semanais para 40 (escala 5x2), e nova queda escalonada, durante quatro anos, até 36 horas semanais (4x3).
Mais de 70% dos trabalhadores do setor recebem até dois salários-mínimos e comprometem cerca de um terço da renda com alimentação. A alterações nas cadeias produtivas de bens essenciais tendem a afetar o acesso à comida e a segurança alimentar., disse o dirigente da Abia.
Dados de 2025 mostra que o setor de alimentos e bebidas emprega cerca de 2,1 milhões de trabalhadores formais e diretos. Considerando toda a cadeia produtiva, o número de trabalhadores chega a cerca de 10 milhões, cerca de 10% da população ocupada no Brasil.
A indústria brasileira de alimentos encerrou 2025 com faturamento de R$ 1,388 trilhão. O crescimento de 8,02% em relação a 2024 representou uma participação de 10,9% no PIB brasileiro.
Já as exportações de alimentos industrializados chegaram a US$ 66,7 bilhões, outro recorde e equivalente a 19,1% de tudo que o Brasil vendeu para o mercado xterno.