O Sindicato dos Fazendários da Bahia (Sindsefaz) considerou equivocadas as declarações do ministro Paulo Guedes, da Econimoa, que continua insinuando que os servidores públicos são privilegiados e “parasitas”. Em coletiva ao lado do presidente da República, na segunda (27), o titular da pasta da Economia declarou: “O servidor público não vai ficar em casa trancado com geladeira cheia e assistindo a crise enquanto milhões de brasileiros estão perdendo emprego”.
Ele sugeriu que o funcionalismo fique sem reajuste de salário em 2020 e 2021. Para o Sindsefaz, a fala do ministro visa colocar o funcionário público, mais uma vez, como vilão da crise. “É um injusto ataque contra um segmento formado por homens e mulheres que estão enfrentando o coronavírus para salvar vidas, nas ruas (policiais), nos hospitais (servidores da saúde), nos postos fiscais, volantes e repartições (fazendários), entre outros”, disse a diretora do Sindsefaz , Marlúcia Paixão.
Ainda segundo a dirigente que é também vice-presidente da Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco), o próprio governo federal elencou diversos serviços públicos como essenciais durante o período de pandemia.
Marlúcia lembra que os servidores públicos baianos estão há 6 anos sem reajuste e acumulam perdas de 32% dos seus vencimentos. Para ela, o ministro Paulo Guedes desvia o foco para não debater a cobranças por medidas que atinjam os verdadeiros privilegiados do país. “Há 206 bilionários brasileiros, que são donos de metade da riqueza nacional, que pagam menos impostos que um trabalhador que ganha R$ 4 mil ou R$ 5 mil por mês”, diz ela.
A sindicalista denuncia que enquanto o trabalhador tem desconto de imposto de renda de 7,5% 15%, 22,5% e 27,5% no seu salário, os grandes empresários no Brasil estão isentos de taxação dos valores que recebem a título de lucros e dividendos.