Prosperidade
Durante o período eleitoral, umas das propostas de um dos pleiteantes era a criação do Ministério da Prosperidade sem o detalhamento. Durante as comemorações da reeleição do Presidente Lula o tema veia a baila, muitos curiosos do que se tratava. O professor de economia aposentado Ataíde (Tatá) Menezes entende como uma abordagem que defende que o desenvolvimento econômico e social depende da criação de condições que permitam o crescimento da riqueza, do bem-estar coletivo e da melhoria da qualidade de vida da população.
A Teologia da Prosperidade surgiu nos Estados Unidos, entre o final do século XIX e o início do século XX. Suas raízes estão ligadas a movimentos como o Novo Pensamento (New Thought), que ensinava que a fé, o pensamento positivo e a confissão verbal poderiam influenciar a realidade e trazer saúde, sucesso e prosperidade material. Posteriormente, essas ideias foram incorporadas por alguns líderes do movimento pentecostal e carismático.
Um dos nomes frequentemente associados ao desenvolvimento da doutrina é Kenneth Hagin (1917-2003), que popularizou o ensino da chamada "confissão positiva", segundo a qual palavras pronunciadas com fé teriam poder para produzir bênçãos materiais e físicas.
Assim o processo teórico da prosperidade fundamenta-se na ideia de que o desenvolvimento econômico e social de uma nação depende da criação de condições favoráveis para a geração de riqueza, o aumento da produtividade e a melhoria do bem-estar coletivo, observando o crescimento econômico sustentável, a eficiência na utilização dos recursos, o incentivo à inovação, a valorização do capital humano por meio da educação e qualificação profissional, além da promoção de oportunidades que permitam a inclusão social e a redução das desigualdades.
No contexto, a administração pública desempenha papel estratégico na promoção da prosperidade, uma vez que é responsável pela formulação e implementação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento socioeconômico. Por meio do planejamento governamental, da gestão eficiente dos recursos públicos e da oferta de serviços essenciais, como saúde, educação, segurança e infraestrutura, o Estado cria condições favoráveis para o crescimento econômico e para a melhoria da qualidade de vida da população.
A relação entre as vertentes (prosperidade e a administração pública) estabelece-se, portanto, pela capacidade do poder público de atuar como agente indutor do desenvolvimento. Ao garantir estabilidade institucional, segurança jurídica, transparência administrativa e eficiência na gestão dos recursos, atração de investimentos, geração de empregos e a promoção do bem-estar social.
Dessa forma, a prosperidade deixa de ser compreendida apenas como crescimento econômico e passa a representar um processo amplo de desenvolvimento sustentável e inclusivo, no qual o Estado exerce papel fundamental na construção de uma sociedade mais justa e próspera.
A relação entre a Teologia da Prosperidade e a luta dos trabalhadores pela defesa dos direitos trabalhistas pode ser compreendida como uma relação de complementaridade e, em determinados contextos, de tensão. Ao sustentar que o desenvolvimento econômico e o aumento da riqueza coletiva resultam da produtividade, da inovação e da eficiência das organizações e do Estado, o crescimento econômico, por si só, não garante a distribuição equitativa dos benefícios gerados.
Nesse cenário, a mobilização dos trabalhadores em defesa das conquistas e ampliação de direitos trabalhistas surgem como mecanismos fundamentais para assegurar que os resultados da prosperidade econômica sejam compartilhados de maneira mais justa entre capital e trabalho.
Historicamente, as lutas trabalhistas foram responsáveis pela conquista de direitos como jornada de trabalho limitada, férias remuneradas, descanso semanal, salário mínimo e proteção à saúde e segurança no trabalho. Tais garantias contribuíram para a melhoria das condições de vida, fortalecendo a cidadania e promovendo inclusão social.
Dessa forma, a prosperidade não deve ser entendida apenas como acumulação de riqueza, mas também como a ampliação do bem-estar social e da dignidade humana. Que DEUS e os Orixás nos protejam.
Adelmo Borges dos Santos adelmook@gmail.com
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31outubro2026