O setor da construção civil registrou em agosto um recorde de pessoas empregadas, com 3,150 milhões de trabalhadores com carteira assinada em todo o País. O aumento de 3% em relação a igual mês de 2025 também é o mais alto desde o início da pesquisa do novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), iniciada em janeiro de 2020.
Nos primeiros oito meses de 2026, a construção criou 200,4 mil novos empregos. O destaque foi o segmento de infraestrutura, com 79 mil contratações, seguido pela construção de edifícios, com 66,5 mil, e serviços especializados, com 54,8 mil.
A criação de vagas de trabalho foi verificada em todos os Estados. Em números absolutos, o estado de São Paulo continua sendo o maior gerador de novos empregos, com 34 mil postos. Depois vieram Minas Gerais (25,3 mil), Bahia (15,7 mil) e Rio de Janeiro (14,2 mil).
Já em termos relativos, quem liderou foi Mato Grosso do Sul, com 251 novas vagas a cada 100 mil habitantes. Depois apareceu Mato Grosso, com 181 novas vagas a cada 100 mil habitantes.
O salário médio para quem está ingressando no setor foi de R$ 2.642,46, mantendo-se acima da média nacional dos salários de entrada, que é de R$ 2.410,74.
O setor patronal ressalta a pressão dos custos para as construtoras, medido pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) que acumula alta de 6,64% nos últimos 12 meses até setembro.
O custo com a mão de obra foi o principal responsável pela alta, com crescimento de 7,78% nesse período. Em seguida, veio o custo com materiais e equipamentos, em 6,06%. Números mostram que a inflação no setor está acima da inflação no País. O IPCA foi de 4,58% no mesmo período.
Projeções da Câmara Brasileira da Indústria da Construção mostram que o PIB (Produto Interno Bruto) da construção civil deve manter a trajetória de crescimento nos próximos meses, mas ainda não está claro qual deve ser o ritmo.
A previsão inicial para o ano era de alta de 2%, mas a expectativa já havia sido reduzida em maio para essa alta de 1,2% devido ao aumento nos custos para as construtoras e à queda dos juros em ritmo muito aquém do esperado.
A taxa de juros elevada tem sido cada vez mais apontada pelos empresários do setor como o principal problema enfrentado. Segundo sondagem, 40% dos empresários apontam o juro alto como maior problema.