Estrategista
Muitos, incluindo chefes políticos, lideranças sindicais e comunitárias, além da maior parcela dos trabalhadores, acham que uma campanha publicitária, política ou não, que busca atingir um determinado efeito em um público específico que se obtém resultados positivos com carisma, com dinheiro ou com tempo de exposição na mídia. Não é bem assim.
Esses elementos têm a sua importância, no entanto é necessário o instrumento que estabelece racionalmente os caminhos. O método estabelecido por uma equipe ou um estrategista individual. Os profissionais de publicidade, e ciências políticas, quando lidam com campanhas políticas costumam afirmar que o candidato é o coração do processo. O estrategista é o cérebro. Sem ele, a campanha vira um amontoado de boas intenções desorganizadas. Com ele, vira um projeto sistemático e racional.
Enquanto o candidato se conduz ansioso, querendo falar, abraçar, apertar mãos de todo mundo, o estrategista identifica “com quem falar” “o que falar” precisa ouvir, “onde e como”. É necessário observar detalhes.
Tomando Camaçari como exemplo, que as necessidade e expectativas de quem vive na sede é diferente de quem vive na periferia dos centros urbanos, na orla, na zona rural, assim como as ansiedades dos sem teto, desempregados, ambulantes e biscateiros são diversos dos que estão empregados, moram confortavelmente, frequentam escolas e clínicas particulares, desfrutam de lazer.
Dados, pesquisas e escuta real valem mais que achismo. Todo candidato tem boas ideias. Poucos conseguem transformar em uma história simples que o eleitor entende e repete na rua. O estrategista cria o posicionamento, o slogan que não é só bonito, mas que cola, e a mensagem que resiste ao ataque.
A campanha é emocional e por isso mesmo é preciso sensibilidade sociopsicológica para gerir crise, fake news, debate e pesquisa ruim. O candidato quer responder na hora. O estrategista analisa as oportunidades, calcula e orienta o ataque e/ou contra-ataque quando. Identifica o momento favorável para participar de entrevistas, debates, os assuntos que devam ser abordados, a postura que deve prevalecer nas aparições, hora tecnicamente certa.
Ele reconhece que o recurso mais escasso não é dinheiro, é a oportunidade e o tempo. O estrategista busca definir onde cada centavo, cada carro de som e cada cabo eleitoral vai gerar mais votos. Sem isso, a campanha gasta muito e alcança resultados mínimos. O plano estabelecido para a campanha deve contemplar princípios de governabilidade, caso os resultados sejam exitosos, assim na construção da imagem para os 4 anos seguintes e na coerência entre o que se promete e o que se pode entregar.
Um candidato sem estratégia é como um ótimo piloto sem equipe de boxe, uma equipe esportiva sem coordenação técnica, sem banco de reserva. Os atletas podem até ser talentosos, mas não tem chances de chegar muito adiante. Atingir os objetivos.
No Brasil real, o cenário desenhado há menos de 40 dias do pleito (primeiro turno em 04.10) é preocupante, de indefinição. Os principais candidatos acumulam uma rejeição acima de 40% (Flávio 48% e Lula 43%). Segundo pesquisa do Instituto DataFolha divulgada em 21.08.2026, 43,8% da população afirmou que vão à seção eleitoral no dia quatro de outubro por obrigação.
A eleição será decidida por 24% dos eleitores que se abstém de acompanhar a movimentação política do país. Tanto no aspecto econômico como social. Se declaram sem interesse pela política, tão pouco com as questões geopolítica global que envolve o Brasil, tão pouco as sequelas de caráter moral e jurídico que alcançam os poderes da república (Executivo, Legislativo e Judiciário) e nomeia o COAF, Receita Federal e Polícia Federal como protagonistas do pleito majoritário de 2026. Assim, qualquer detalhe pode comprometer os resultados.
Que DEUS e os Orixás nos protejam.
Adelmo Borges dos Santos adelmook@gmail.com
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29agosto2026