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JOSE AMÉRICO NO COLUNISTAS: O presidente e o amigo e aliado que virou um calo


José Américo Moreira da Silva é jornalista

Jaques Wagner virou um problema para Lula


As novas revelações da Polícia Federal colocam o principal aliado do presidente na Bahia no centro da campanha eleitoral e ameaçam transformar o maior reduto petista em um campo permanente de desgaste político


Durante muitos anos, Jaques Wagner foi tratado como um dos homens mais influentes da República. Governador da Bahia por dois mandatos, ministro de Estado, líder do governo no Senado e conselheiro mais próximo de Lula, construiu a imagem de articulador discreto e operador político eficiente. Hoje, porém, o noticiário já não fala de sua capacidade de articulação. Fala de investigação.


As novas informações da Operação Compliance Zero elevam significativamente o custo político da permanência de Wagner no centro da estratégia eleitoral do PT. Segundo a Polícia Federal, foram identificadas 74 ligações telefônicas entre o senador e um ex-sócio do Banco Master, além de registros de presentes, utilização de aeronaves particulares e contatos que agora fazem parte do conjunto de elementos investigados.


Naturalmente, nada disso significa culpa. Jaques Wagner nega qualquer irregularidade e terá assegurado o direito de defesa. O processo ainda está longe de uma conclusão.


Mas existe uma regra antiga na política: o dano eleitoral quase sempre chega antes da sentença judicial. E esse dano já começou.


A Bahia representa muito mais do que um estado para Lula. É seu maior patrimônio eleitoral. Foi dali que nasceram algumas das maiores vitórias do PT e é dali que o partido espera novamente uma votação decisiva para sustentar sua candidatura presidencial.


Por isso, qualquer desgaste envolvendo Jaques Wagner deixa imediatamente de ser um problema pessoal. Passa a ser um problema de Lula.


A oposição dificilmente desperdiçará a oportunidade. Cada visita presidencial à Bahia, cada palanque compartilhado e cada fotografia ao lado de Wagner servirão de combustível para o discurso adversário.


Não por acaso, o senador já deixou a liderança do governo no Senado. Oficialmente, trata-se de uma reorganização política. Na prática, a decisão também ajuda a reduzir a exposição do Palácio do Planalto diante de uma investigação que ganhou novas proporções.


A política trabalha com símbolos. E os símbolos mudaram. Antes, Jaques Wagner representava estabilidade, experiência e articulação. Agora, passou a representar um risco de contaminação da campanha presidencial justamente no estado onde Lula menos gostaria de enfrentar turbulências.


Se a investigação avançar e novas revelações surgirem durante a campanha, o presidente poderá ser obrigado a rever sua estratégia eleitoral na Bahia, limitar aparições conjuntas e redistribuir o protagonismo entre outras lideranças do partido. Seria um movimento impensável há poucos meses.


Mas eleições não são disputadas apenas com programas de governo. São disputadas também no terreno da confiança. E confiança é um patrimônio que se perde muito mais depressa do que se conquista.


Talvez Jaques Wagner consiga demonstrar, ao longo do processo, que não praticou qualquer irregularidade. Essa é uma possibilidade que pertence à Justiça.


A política, entretanto, não costuma esperar pelo último capítulo. Ela julga todos os dias.


E, neste momento, o maior problema de Jaques Wagner talvez já não seja convencer um juiz. É impedir que sua crise se transforme definitivamente na crise eleitoral de Lula na Bahia.


José Américo Moreira da Silva zamerico1961@gmail.com é jornalista, publicitário, baiano radicado em Brasília 


Opiniões e conceitos expressos nos artigos são de responsabilidade do autor

31julho2026

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