O Mestre Arlindo Lindu e o exemplo de respeito, cidadania e pertencimento
Valeu, Mestre Camaçari perdeu na quarta-feira (17) uma figura emblemática: Arlindo Santana Santos, conhecido como Arlindo Lindu. O ´mestre Lindu`, título que ganhou por conta de sua rica trajetória, deixa exemplos e um importante legado para a cidade que acolheu esse soteropolitano de Itapagipe, nos anos 1960.
Valeu, Mestre 2 Em Camaçari construiu não apenas uma família formal. Seu jeito leve de ser e de acolher sem preconceitos ampliou esse time de filhos, agregados e amigos. Desde jovem, como anotador de obras, um dos seus primeiros empregos, que Lindu constrói.
Valeu, Mestre 3 Dono de um sentimento de pertencimento singular, Lindu seguiu avançando. Na antiga Decasa, empresa pública responsável pela construção de casas populares em regime de mutirão, nos anos 1980, ganhou mais traquejo e consciência da complexa cidade que adotou.
Valeu, Mestre 4 Lindu era uma figura com características especiais. Construiu vínculos e soube trafegar de forma elegante e sempre enriquecedora, tanto para seu currículo, como na construção positiva em todos os muitos espaços públicos em que atuou.
Valeu, Mestre 5 Construiu caminhos e deixou lições na cultura, na gastronomia, no esporte. Até no árido terreno da política, onde tudo pode, desde que seja em benefício próprio, Lindu soube contribuir de forma positiva e ensinar lições.
Valeu, Mestre 6 Referência nessa trajetória de 76 anos é o restaurante Feijão do Lindu. Nasceu como um encontro de amigos. A panela cresceu, foi inaugurado oficialmente em 2000 e virou marca de boa comida. Ao lado da esposa e companheira de uma vida toda, d. Eliana, falecida em 2018, conquistou espaços privilegiados no mapa da culinária baiana, como cita o jornalista Tasso Franco no seu livro ‘Dom Franquito 96 restaurantes ao redor do mundo”. O restaurante era apenas um ingrediente na receita mais ampla do mestre.
Valeu, Mestre 7 Repertório amplo, bom de conversa, festeiro, cantava, fazia música, gostava de uma cerveja e uma pinga para coroar. Lindu era homem que não brincava e dava conta do serviço. Sincrético, era devoto de Santo Antonio, mas mantinha os pés firmes nas suas raízes africanas.
Valeu, Mestre 8 Foi um dos responsáveis pela criação da Micareta de Camaçari. Nesse compasso criou, junto com o amigo Ademar Josué, o Madruga, o afoxé Filhos de Eulina, em homenagem uma das mais importantes ialorixás da cidade e destaque dos desfiles. Era mais um passo na preservação da identidade e raízes de Camaçari.
Valeu, Mestre 9 Sua grande paixão na música, o samba, foi semente para o fortalecimento e preservação de uma das nossas raízes numa Camaçari multifacetada e cheia de influências. Lição cadenciada pelo toque do pandeiro começou em casa, com os 5 filhos e seguiu herdada pelos 4 netos, parentes e amigos.
Valeu, Mestre 10 Na sua cozinha surgiram cantores, compositores, grupos musicais, e a “Turma do Samba”, formada por filhos e filhos de amigos. Essa letra com melodia é antiga e vem sendo afinada desde a criação de projetos musicais no antigo Teatro Magalhães Neto, rebatizado Alberto Martins.
Valeu, Mestre 11 Samba, música e boa comida casam com futebol, outra marca do mestre. Foi sob sua cartola, na verdade um filá, que o Camaçari Futebol Clube subiu para a primeira divisão e venceu o primeiro dos três turnos do Campeonato Baiano de 1998. No currículo do “peixe guarajuba”, símbolo da equipe, está o histórico 2x1 sobre sua outra paixão, o rubro-negro Vitória.
Valeu, Mestre 12 Gols e títulos, muitos conquistados no então estádio Waldeck Ornélas, depois mudado para Armando Oliveira, e mais recentemente rebatizado de Fernando Lopes, outro ex-presidente do clube, transformaram Arlindo Lindu no mais importante dirigente da história do futebol camaçariense.
Valeu, Mestre 13 Multifacetado, Lindu não poderia deixar de dar sua contribuição na política. Presença intensa nas articulações da política camaçariense desde os anos 1980, foi presidente do PSB e chegou a cumprir missão partidária ao arriscar sem sucesso um mandato de vereador.
Valeu, Mestre 14 De memória privilegiada, deu grande contribuição a esse repórter, com momentos do folclore político local. O ´estrogonofe de Pinheiro”, ´o litro da água sanitária de Caetano` e a celebre máxima do médico e vereador Zé Ellis: “É candidato, mas não é para ganhar” foram histórias que enriqueceram as colunas Política e Políticos e Camaçarico.
Valeu, Mestre 15 Mesmo fazendo da máxima “me tire dos seus exemplos” seu mantra, quando era citado, não dá para negar sua rica e positiva trajetória. Com todos os defeitos e virtudes, Lindu é exemplo para quem sonha e aposta numa Camaçari e num país melhor e mais leve para todos. Obrigado, Amigo.
João Leite Filho joaoleite01@gmail.com – Editor
22junho2026 Fechamento: 16h05