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Adelmo Borges no Colunistas: As narrativas e o impulso do eleitor


Adelmo Borges dos Santos

Jogando conversa fora II


O curioso nas conversas amistosas com estudiosos que guardam conteúdo é que cada intervenção traz à tona realidades não perceptíveis para o grande público. Despertou minha atenção a análise que busca justificar a ausência do compromisso programático pelo lado dos atores políticos assim como a cultura popular em delegar seu voto sem afirmativa de compromissos de abrangência coletivas.


Ou seja. Em tese os agentes políticos no desenvolvimento do seu trabalho utilizam a afirmação que o convencimento para obter a preferência do eleito não exige elaborações relativas ao desenvolvimento econômico e social. Por seu lado, o eleitor abordado se rende em oportunizar um sentimento de benefícios pessoais e diretos sem considerar a fragilidade que se estabelece no relacionamento.


Evidencia-se que a representação política, no Brasil, não tem como sustentação um princípio ideológico de natureza progressista ou conservadora, na base da pirâmide social. Os elementos são definidos no campo das classes dominantes que financiam os dirigentes com o compromisso de preservação de privilégios.


Dados cruzados em diversas pesquisas realizadas entre 2018 a 2025 apontam que ao final de quatro anos de mandato, 7 entre 10 eleitores não lembram em quem votou para a Câmara Municipal, Assembleia Legislativa e/ou Câmara Federal nas últimas eleições. Fixa-se nos candidatos a cargos executivos e senado. No entanto, 8 entre 10 eleitores não recordam os motivos nem a proposta que lhe levaram a confiar o voto, assim como pouquíssimos são os que se reportaram a um detentor de mandato para sugerir o encaminhamento de uma proposta ou criticar o comportamento em tramitação de uma matéria.


Outra questão é a reação em conviver associativamente e manter constantes debates sobre as questões que envolvem a sua comunidade. No máximo elege alguém para reivindicar melhorias junto à administração pública,


Os números finais das últimas eleições em Camaçari, evidencia um quadro à semelhança do descrito a nível nacional. O eleitorado se motiva pela capacidade de verbalização e oratória mesmo que as narrativas não guardem sentido nem evidenciem propostas que alcancem o anseio popular. Muitos saem de um encontro, reunião ou comício político sem saber descrever o conteúdo, muito menos o sentido do que foi propalado pelos oradores.


Assim é que os cálculos evidenciam que as correntes influenciam gravitacionalmente em torno de 30% da decisão dos eleitores quando decidem sobre representação parlamentar (Assembleia Legislativa ou Câmara Federal) capitaneada por umas das correntes. De um lado Luiz Caetano (PT) e do outro José Tude (UB) (em fase de ceder espaço para Antonio Elinaldo (UB)).  


Esse percentual corresponde aos mais próximos dos partidos e entidades da base de apoio e os que encontram uma oportunidade na administração e parte dos seus familiares.


Sendo assim e com a evolução das mídias digitais e redes sociais a tendência desse quadro é de gradativas alterações capitaneadas por detentores do capital ao exercer influências sobre as entidades públicas e não governamentais que diretamente exercem pressão sobre os trabalhadores formais, informais e autônomos.


Que DEUS e os Orixás nos protejam.


Adelmo Borges dos Santos  adelmook@gmail.com 


Opiniões e conceitos expressos nos artigos são de responsabilidade do autor 

21março2026

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