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Camaçarico 10 de junho 2019


Vazio A demolição do casarão que abrigou os 3 poderes em Camaçari, na manhã de domingo (9), dá bem a dimensão da lacuna existente entre a atual gestão municipal, representada pelo alcaide Antonio Elinaldo (DEM), e o compromisso constitucional com a preservação da sua história, do seu patrimônio e, principalmente no trato de informar a verdade aos seus munícipes.


Vazio 2 Sem ter informado em nenhum momento sua intenção radical, a gestão do demista (Confira) surpreendeu toda a cidade, e até parte de seu governo, com a derrubada de um dos últimos símbolos do poder e da memória da cidade.


Vazio 3 Mesmo datada da década de 1940, imóvel tem valor inestimável para a história da cidade, pois retratava e guardava seus primeiros momentos como formação urbana longe da sua raiz centenária em Vila de Abrantes, outro caso grave de descuido com a história de Camaçari. 


Vazio 4 Pouco mais de 24 horas depois de colocar no chão um pedaço da história da cidade, a prefeitura distribui uma nota para a imprensa, na manhã desta segunda-feira, como se estivesse derrubado um poste. Sem fugir ao seu estilo simplório e ineficaz, nota justifica a demolição lembrando que o imóvel foi “condenado pela Defesa Civil no ano passado”. 


Vazio 5 Vaga e longe de esclarecer alguma coisa, apenas ampliar as dúvidas, a nota da assessoria do alcaide Elinaldo não explica porque o imóvel só foi isolado com tapumes na última quarta-feira (5), já que ameaçava desabar desde o ano passado.


Vazio 6 Ou será que os mesmos experts da prefeitura imaginaram que em caso de desabamento, agora agravado com as fortes chuvas, nenhuma das centenas de pessoas que esperam diariamente os ônibus e os carros do sistema ligeirinho, no 2º maior ponto de embarque e desembarque de  passageiros depois do terminal rodoviário, não seriam atingidos. 


Vazio 7 Sempre passando longe da verdade, versão para a demolição desmorona com as contradições dentro do próprio governo elinaldista. Em entrevista ao site Destaque-1, o coordenador da defesa Civil, Ivanaldo Soares, sem detalhar, diz que a demolição foi determinada por engenheiros ligados a outros órgãos do governo municipal. “A gente condenou porque a laje estava comprometida, estava em colapso e ameaçava desabar”, disse. Ainda segundo Ivanaldo, que determinou a interdição em 2018, o prédio estava “desabando, ia cair parede e tudo”.   


Vazio 8 Como vem cobrando e alertando a Coluna e o Camaçari Agora, projeto de requalificação do centro histórico de Camaçari virou uma caixa preta, desconhecida até pelo próprio alcaide Elinaldo. Como informou o Camaçarico de sexta-feira (7), Elinaldo não conseguiu disfarçar o ar de desconforto. Mesmo sabendo sobre a demolição, não escondeu seu desconhecimento sobre detalhes de tão importante ação da sua gestão. Disse apenas ao editor da Coluna que sabia “no geral”, ao ser indagado na noite de quinta-feira (6), durante evento na Casa do Trabalho. 


Vazio 9 Mas, esse desconhecimento não é fruto apenas da baixa capacidade da gestão Elinaldo em ser transparente com a coisa pública. Esse oco é alimentado pelos outros atores políticos e representantes da sociedade organizada de Camaçari. 


Vazio 10 Mesmo com tudo para capitanear a festa de inauguração, senão de todo, mas parte do programa de requalificação do centro histórico, o alcaide Elinaldo não demonstra muita distância de seus antecessores Ademar Delgado, ex-petista e hoje sem pouso partidário; e Luiz Caetano (PT). Assim como seus adversários, Elinaldo não soube cuidar do centro de Camaçari, buscando assim reforçar o comércio no centro, hoje sem musculatura na disputa pelo consumidor que a cada dia se aproxima mais dos shoppins.


Vazio 11 O demista sabe que, na real, não dispõe dos 16 meses do calendário até as eleições de outubro de 2020 para revitalizar a região central, principal polo dos pequenos e microempresários que tanto diz defender. Obras no comércio obedecem ao calendário de vendas que reduzem esse prazo a menos de 12 meses de buraqueira, poeira e trânsito interrompido.


Vazio 12  Sem abrir o debate sobre as obras no centro  histórico, Elinaldo que graças a falta de entendimento de sua equipe, termina acumulando mais entulho. O demista não enfrenta apenas o desconforto e a desconfiança dos comerciantes das ruas centrais, desde a praça Abrantes, subindo até a praça Montenegro e adjacências.


Vazio 13  A situação dos mais de duas dezenas de microempreendedores instalados nas proximidades do antigo cinema e da passarela, citado na última Coluna, é outro problema que o alcaide vai precisar enfrentar nos próximos meses.  


Vazio 14  Mas, essas toneladas de escombros que só prejudicam a cidade e sua população, poderiam ter sido evitadas. Sem debater seus problemas e resumir sua agenda política a lutar contra ou a favor do governo, agentes políticos de todas as nuances, e até parte do empresariado terminam demolindo mais que construindo.   


Vazio 15 Onde estava a Câmara de Vereadores que nada cobrou. Nessa caçamba não fazem diferença os intrépidos vereadores oposicionistas e combativos governistas. Os 21 representantes do povo puderam mas sequer realizaram uma sessão especial, uma audiência pública, ou qualquer outra manifestação, apesar da estrutura de pouco mais de R$ 60 mil mensais  que dispõem por cada  gabinete para  propagarem suas ações e remunerar pessoal capaz de desenvolver movimentos de interesse e em defesa da cidade.


Vazio 16 E o conselho municipal de cultura de Camaçari (CMCC). O que fez a atual formação com mandato expirando nos próximos dias, nesses pouco mais de 1 ano de gestão tampão. A alegação de que enviou ofício cobrando da doutora Márcia Tude, titular da secretaria de cultura (Secult) e responsável pelo projeto de revitalização do centro histórico, é muito pouco. Para festejar a distribuição dos R$ 300 mil para mestres e mestras das religiões de matriz africana e da capoeira não faltou espaço e vontade na imprensa e nas redes sociais.


Vazio 17  Mas esse fosso é antigo e não é privilégio do atual CMCC. A antiga formação do colegiado, ainda na gestão do alcaide Ademar Delgado (2013/2016), quando o Camaçarico já cobrava a recuperação e a preservação da memória da cidade com a revitalização do conjunto formado pelo cinema, pela estação de trens e pela agora finada sede dos poderes municipais, é coautora dessas marretadas.


Vazio 18 Nesse pacote de culpas também entram boa parte da imprensa e as entidades empresariais, a Acec e o CDL, que volta e meia andam choramingando redução das vendas no comércio do centro, insegurança, limpeza, melhores vias. Por quê nunca acionaram a prefeitura e foram discutir o projeto de revitalização do centro histórico. Se fizeram, não contaram. Guardar no depósito longe da vitrine é condenar a mercadoria ao encalhe.  


Vazio 19  Citação de Rui Barbosa (1849/1923), "Frase do Dia" do Camaçari Agora desta segunda-feira (10), lembra que o grau de descuido e desrespeito, que o nosso baiano mais ilustre já alertava no começo do século passado, mas que se ajusta como uma luva nessa Camaçari dos tempos modernos: "De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto."


Confira todas as Colunas acessando o link    http://www.camacariagora.com.br/camacari.php


João Leite Filho joaoleite01@gmail.com (Editor)


10/6/2019

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