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Noádia Mendonça no Colunistas: A mulher e os novos pilares da conquista


Noádia Mendonça é advogada e empresária na área da construção civil

Luta das mulheres por evolução e protagonismo na construção civil


Ato de coragem, silêncio que se rompe, sonho que se ergue. Hoje, no Dia Internacional da Mulher, não se celebra apenas, mas se denuncia as fissuras que ainda atravessam o chão da construção civil: onde homens falam mais alto, onde a política de liderança é uma margem estreita para quem é mulher, onde a violência de gênero insiste em se insinuar em todos os espaços. Denuncia-se ainda a distância entre a promessa de igualdade e a prática diária que, apesar dos avanços, continua segurando a mão das mulheres no alambrado da experiência profissional. Deve-se celebrar com a memória dos passos dados até aqui, sem desviar o olhar do horizonte que aponta os passos ainda por serem dados.


O estágio atual das mulheres na construção civil é, ainda, uma fotografia serrada: em muitos mercados, a participação feminina permanece abaixo de 20% entre operários e técnicas, com uma presença menor ainda em cargos de supervisão e nas camadas de liderança. Nas últimas décadas, a presença de mulheres no setor cresceu, impulsionada por programas de capacitação e pela alta demanda por mão de obra qualificada. São pedreiras, serventes, eletricistas e revestidoras. As mulheres são frequentemente reconhecidas por serem detalhistas, organizadas e cuidadosas, o que as tornam ideais para acabamentos de alta qualidade em revestimentos. A modernização da construção civil, com menos força bruta e mais tecnologia, favorece, em muito, a entrada de mais mulheres no setor.


Existem, no Brasil, instituições que atuam na capacitação e inclusão de mais mulheres na construção civil. Firmar parcerias com essas entidades contribui enormemente para o processo de inclusão. A verdade precisa ser dita sem adornos: a mulher é desafiada todos os dias a abrir portas e ainda luta para manter abertas as portas que, com muito suor e sangue, foram abertas. É a busca incessante e extenuante por remuneração justa e, sobretudo, por um ambiente que não naturalize o assédio, o desrespeito e a invisibilidade — coisas que vitimam diariamente as mulheres.


Há um caminho em todos os setores da sociedade, e não é diferente num setor com tão baixa presença feminina. Em mercados de construção civil ao redor do mundo, a participação de mulheres em empregos formais é menor em comparação aos homens, embora haja variações regionais. As mulheres estão frequentemente na linha de partida, enquanto a linha de chegada ainda parece distante para quem assume mais responsabilidades, mais cuidados e mais medos — mesmo com igual potencial.


A diversidade, para além de um slogan, é fonte de inovação, criatividade e resiliência. Em um setor que transforma aço, vidro e concreto em cidades que acolhem famílias e pessoas, a diversidade de perspectivas é o antídoto contra atalhos que descarrilam projetos. A inclusão não é caridade; é estratégia de negócio, é responsabilidade social, é salvaguarda de qualidade.


Hoje, mais do que celebrar, é preciso que todos e todas se comprometam a sustentar, dia após dia, ações que fortaleçam as mulheres em todos os setores da vida civil e empresarial. Não é fácil criar caminhos claros de ascensão para as mulheres. Há o pacto silencioso do patriarcado dizendo, a todo tempo, o que está reservado para elas.


Este é o chamado à ação: que o Dia Internacional da Mulher não seja apenas uma data no calendário, mas um marco contínuo de transformação. Que o setor de construção civil sirva de exemplo e esteio para outras áreas, demonstrando que é possível combinar excelência técnica com equidade; que é possível construir, de fato, uma sociedade mais justa.


Celebremos, então, a força, a resiliência e a determinação das mulheres que fazem a diferença no mundo. E reforcemos, com cada ação concreta, que a luta por um futuro mais justo e igualitário para todas não é uma batalha em momentos isolados, mas uma luta diária. Que a construção civil seja, cada vez mais, uma construção de direitos, de respeito, de oportunidades iguais, de reconhecimento, para transformar o nosso presente em um amanhã mais digno para todas.


Noádia Mendonça é advogada e empresária na área de Engenharia de Acesso na Construção Civil há 40 anos


Opiniões e conceitos expressos nos artigos são de responsabilidade do autor

15março2026

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