Alternativas
Muitos, ao se defrontarem com o título desse artigo, levam a memória para um movimento que buscou intervir na política de Camaçari, através do Partido dos Trabalhadores e os principais aliados (PCdoB, PSOL e PV). Foi um momento interessante, ousado e criativo em confronto com o modelo de controle partidário exercitado até então.
Sabíamos que não contaríamos com as principais figuras (eles se acomodaram e optaram por exercer cargos na administração) dos partidos, também, porque nosso campo era ideológico, sem carreirismo, sem patrimonialismo.
Nosso objetivo era democratizar a direção partidária, criar um canal de acesso a novos filiados e estabelecer um programa para expandir as ações partidárias para os distritos e localidades. Estabelecer núcleos de debate e militância continua com a população.
Mas, a história agora é outra. Nesse período de festa de momo, Guarajuba foi invadida por turistas, veranistas e visitantes. Um contingente capaz de provocar engarrafamento na estrada do coco, nas ruas de Monte Gordo e no acesso à praia. Oportunidade para que os moradores possam melhorar sua renda com serviços eventuais (cozinha, faxina, garçom etc.).
Nesse ambiente, amigos que acertamos conversar, bebericar e petiscar em um bar à beira-mar. Morando no mesmo município, no entanto nossas trocas de ideias são realizadas em ambiente digital por mensagens ou em vídeo conferências.
Assim, em datas carnavalescas, o clima apresenta um tom cinza. Otimismo com o cenário político nacional (Lula preparou a cama e espera deitar tranquilamente), dúvidas em relação à sucessão estadual (ajustamentos de interesses entre Wagner, Rui Costa e Otto Alencar) preocupações com o quadro local. Comentários sobre a performance do governo Caetano 4, distante da expectativa da população que vivenciou a dinâmica dos governos Caetano 2 e 3.
Ausência de quadros técnico-político ou político para sustentabilidade da gestão assim com ausência de militantes para debater e/ou fazer o contratempo com a oposição nas bases (sindicatos, associações comunitárias, cooperativas etc.). Parte dessas ações é de caráter governamental e outra de responsabilidade dos partidos de sustentação.
Há um rebatimento na posição anterior sob o argumento que a existência de insatisfações pela dificuldade em ser ouvidos e de contribuir com proposições e ações efetivas incide sobre a motivação com reflexos na mobilização em atividades de iniciativa do governo.
Por outra direção, a oposição busca ampliar seu espaço com estratégias que simulam a proteção de medidas em direção à melhoria das condições de vida da população, notadamente nas áreas da saúde, educação, assistência e promoção social e limpeza urbana, utilizando os vereadores de maiores projeções junto às comunidades.
Há de se observar que a direita mesmo nos momentos de flagrantes derrotas as suas principais lideranças têm pautado o debate político e se mantém evidente, enquanto a esquerda tem adotado uma postura defensiva disposta a ceder alguns dedos para não perder os anéis.
Essa questão reflete a situação da escolha do candidato do governo à Assembleia Legislativa em coligação com Ivoneide Caetano. Uma situação considerada não resolvida.
Um desvio estratégico milimétrico poderá colocar em risco, não só, a reeleição da deputada (que necessita de no mínimo 40 mil votos em Camaçari), como levar reflexos para 2028, haja visto as dificuldades ocorridas no pleito de outubro de 2024.
Que DEUS e os Orixás nos protejam.
Adelmo Borges dos Santos adelmook@gmail.com
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21fevereiro2026