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Waldeck Ornélas no Colunistas: Uma marca urbana de Salvador


Waldeck Ornélas é especialista em planejamento urbano-regional

O nome do segundo centro é Iguatemi!


A metrópole soteropolitana tem dois centros: o tradicional Centro Histórico, colonial, estabelecido quando da fundação da Cidade – hoje tombado pelo Iphan e reconhecido pela Unesco como Patrimônio da Humanidade – e um segundo centro, ainda recente, presumivelmente moderno, surgido nos anos 1970, a partir da implantação do antigo Shopping Center Iguatemi e da então moderna Estação Rodoviária, e que passa por uma grave crise de identidade.


Por razões de natureza empresarial, o shopping abandonou o nome original e passou a ser, genericamente, da Bahia. A estação rodoviária, por sua vez, acaba de deixar esse lugar, ao ser transferida para a entrada da Cidade, via BR-324, em Águas Claras, local corretamente indicado pelo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) para ser um terceiro centro. 


Ocorre que este segundo centro da Cidade, embora tenha, com o tempo, concentrado, em larga escala, as atividades comerciais, financeiras, empresariais – inclusive suas entidades – hoteleiras, habitacionais e outras, a ponto de ser reconhecido como centralidade metropolitana, não consolidou uma denominação que o identifique. 


O PDDU atribui-lhe a denominação de Camaragibe, que está nas plantas de zoneamento urbano, mas é o único que a população não usa. Se o fizesse, talvez o chamasse de Camurujipe, corruptela utilizada por uma empresa de ônibus intermunicipais. 


A área não se confunde com a Av. Tancredo Neves que, desmembrada da Av. Magalhães Neto, estranhamente contorna o que era, no passado, o antigo Jockey Club. 


Se formos pela divisão da Cidade em bairros, alguém identificaria o Salvador Shopping como Caminho das Árvores? Para todo mundo, Caminho das Árvores é a Alameda das Espatódias, onde se localiza o rico comércio de rua da cidade.


Qual então o seu nome?  A leitura urbana é tão imprecisa que os três equipamentos que referenciam essa centralidade estão em bairros distintos: o Shopping da Bahia está no bairro do Caminho das Árvores, a antiga estação rodoviária nos Pernambués e o monumental templo da Igreja Universal em Brotas…


Urge, portanto, redefinir esta divisão para caracterizar adequadamente essa região como uma unidade territorial com função e identidade próprias.  


Há distinções claras entre um centro e outro. O Centro Histórico tem inúmeras praças: Castro Alves, Tomé de Souza (Municipal), Terreiro de Jesus, Largo do Pelourinho – a mais famosa –, Largo da Cruz do Pascoal e a do Santo Antônio Além do Carmo, essas na Cidade Alta. Na Cidade Baixa, Cairu, Inglaterra e Deodoro. 


O segundo centro não tem nenhuma. Talvez por isso não tenha ganho uma identidade… O shopping até tentou criar uma praça, com o nome do seu empreendedor, Newton Rique, mas ela acabou engolida pela macarronada de viadutos, já em três patamares. Trata-se de uma área muito amigável com os automóveis, mas avessa aos pedestres.


Nessa região, são as pessoas que atrapalham os carros. Para sobreviver, restam-lhes quilométricas passarelas que cruzam por sobre as vias, não sem ter o pedestre que enfrentar subidas e descidas para alcançá-las no nível correspondente, estendendo os percursos a pé. Que absurdo: os carros em primeiro lugar!   


É preciso dar ao segundo centro a identidade de um bairro. Com a mudança do nome comercial do shopping, a referência passou a ser a rodoviária, que agora também se foi. A melhor solução, parece, é atribuir-lhe o nome de uso popular predominante, independente do seu significado ou vinculação, mas que seja capaz da abranger geograficamente a essência da centralidade.


Cabe ao Poder Executivo Municipal fazer a proposta, ou à Câmara de Vereadores tomar a iniciativa. O processo de identificação do novo bairro deve começar pelo sistema de transportes, com o Metrô e o BRT adotando o nome Iguatemi para a antiga Estação Rodoviária, onde se integram. O nome do segundo centro é Iguatemi!


Waldeck Ornélas waldeck.vo@gmail.com é especialista em planejamento urbano-regional. Autor de “Cidades e Municípios: gestão e planejamento”. Foi senador, ministro da Previdência e secretário de planejamento do estado


Opiniões e conceitos expressos nos artigos são de responsabilidade do autor

12fevereiro2026

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