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Adelmo Borges no Colunistas: A orla de Camaçari e o novo olhar


Adelmo Borges dos Santos

Um novo momento uma nova história


No último bate-papo, on-line, que mantive com alguns amigos, pessoas que observam, acompanham e comentam sobre a realidade sócio-econômico-cultural-político de Camaçari, acertamos uma observação sobre as manifestações culturais da orla com ênfase nas tradicionais lavagens. Passada as manifestações de Barra do Jacuípe, Monte Gordo e Vilas de Abrantes, alguns comentários podem ser feitos.


Camaçari cresceu 23,3% entre 2010 e 2022, atingindo cerca de 300 mil habitantes (com estimativa de 321 mil para 2025). Uma parcela significativa desse crescimento ocorre nos distritos da orla devido à expansão urbana de Salvador em direção ao Litoral Norte.


Os dados socioeconômicos da orla de Camaçari revelam um contraste marcante entre o alto potencial econômico (impulsionado pelo turismo e mercado imobiliário) e as carências sociais da população residente.


Enquanto a Sede do município concentra as atividades industrial e comercial, a Orla (que abrange 42 km de litoral e distritos como Arembepe, Barra do Pojuca, Guarajuba e Jauá) possui dinâmicas próprias: A economia é movida pelo Turismo de Sol e Praia e pelo, ainda incipiente, setor de Serviços.


No entanto, existe uma desigualdade de renda visível. Historicamente, o litoral apresenta uma concentração de moradores na faixa de baixa renda (1 salário mínimo), similar à sede. Contudo, a orla possui "bolsões" de alta renda representados por condomínios de luxo e casas de veraneio.


A receita local sofre com a sazonalidade. Durante o verão e feriados, chega a atrair cerca de 15% dos turistas que visitam o Litoral Norte da Bahia, gerando picos de emprego temporário no comércio e hotelaria.


Apesar da riqueza gerada pelo Polo Industrial (que sustenta o PIB per capita de Camaçari em torno de R$ 91 mil, um dos maiores da Bahia), a orla enfrenta desafios de infraestrutura básica e saneamento em áreas de ocupação informal, contrastando com os resorts vizinhos, o que gera um alto índice de dependência social; cerca de 34% da população total é beneficiária do programa Bolsa Família, o que também se reflete nas comunidades pesqueiras e periféricas da zona costeira.


Assim, ao cruzar e analisar esses dados com a diversidade cultural e econômica divergente entre os que promovem a oportunidade de ganhos e os que estão disponíveis para usufruir das oportunidades que a natureza oferece se verifica o quanto as relações interferem diretamente nas manifestações de preservação de uma cultura milenar, na formação política e nos resultados eleitorais.


Ou seja, quem oferece a oportunidade de ganhos passam a exigir comportamento em conformidade com as exigências impostas. “O nativo trabalha para manter o bem-estar dos moradores e visitantes que buscam o litoral de Camaçari e assim contemplar suas famílias com o mínimo necessário a subsistência”


Há de se observar que essa força de trabalho subalterna (vigilante, porteiro, cozinha, garçom, faxina, manutenção de piscina e jardins etc.) com ganhos mínimos, sem direitos previdenciários dependem dos serviços públicos básicos (saúde, educação, habitação, promoção social, segurança alimentar e da renda) e a deficiência desses levam ao agravamento da carência o que lhe deixa mais dependente das relações irregulares de ocupação.


Tais condições afloram o sentimento de insatisfação e revolta direcionada aos governos e governantes que se colocam (social e politicamente), no imaginário com a tábua de salvação.


A distância do estado no que tange a fomentação, coordenação, gerenciamento e regulação do processo de desenvolvimento da orla de Camaçari, é permissível para que a ocupação e especulação do solo apresente utilização inadequadas, degradações acentuadas e acirramento das vulnerabilidades com graves prejuízos econômicos, ambientais e sociais.  


Que DEUS e os Orixás nos protejam


Adelmo Borges dos Santos  adelmook@gmail.com


Opiniões e conceitos expressos nos artigos são de responsabilidade do autor

31janeiro2026

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