Vereadores oposicionistas querem antecipar eleição da Mesa com medo das urnas
As eleições para o Conselho de Meio Ambiente e o recuo dos movimentos populares
O acarajé e a fritura do planejamento na prefeitura de Camaçari
Fragilidade Com maioria apertada de 12x11, e em constante insegurança, diante do histórico fisiológico, somado à pressão do alcaide Luiz Caetano (PT), para trazer ao menos um para seu lado, os oposicionistas da Câmara de Camaçari discutem mudança na data de eleição da Mesa Diretora, biênio 2027/2028.
Fragilidade 2 A Coluna apurou que ideia é antecipar para agosto a escolha no novo presidente e demais membros. Capitaneados pelo presidente do Legislativo, vereador Niltinho Maturino (PRD), antigovernistas não querem arriscar zebra com votação em 15 de dezembro, já com os novos eleitos definidos: governador, deputados estaduais e federais, 2 senadores e presidente da República.
Fritura Depois do atestado de descuido com a continuação, sem a necessária revisão do projeto da praça Montenegro, como mostrou o Camaçarico, a gestão de Camaçari, do alcaide Luiz Caetano (PT), comete mais um equívoco ao tentar derrubar o tacho do Acarajé da Rosa, famosa quituteira da praça Abrantes.
Fritura 2 Instalada no local há cerca de 40 anos, portanto marca da paisagem e referência de qualidade na gastronomia da cidade, Rosa vem enfrentando constrangimentos por conta de um projeto desconectado com a realidade que apenas vem tentando corrigir.
Fritura 3 Reconstruído com a requalificação da praça Abrantes, na gestão do alcaide Elinaldo (União) e sob o esquadro da secretária de obras (Seinfra), a doutora Joselene Cardin, quiosque precisou de ajustes para funcionar dentro das necessidades exigidas para um ponto de baiana do acarajé. Modificações feitas com recursos da própria microempresária, que não foi ouvida durante a definição do projeto, terminaram sendo questionadas pela nova Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur), que chegou a dar ultimado sob ameaça de interdição.
Fritura 4 Depois de reconhecer que queimou a mão, a pasta comandada pelo doutor Rodrigo Nogueira finalmente recuou. O azeite quente das redes sociais, onde o equívoco viralizou, deixou a lição de que planejamento sem o tempero da tradição e da representatividade vira receita indigesta no cardápio de uma cidade.
Espelho O Conselho Municipal de Meio Ambiente de Camaçari (COMAM) escolheu na última sexta-feira (15) os 6 representantes da sociedade civil. Na votação direta entre os 11 inscritos e habilitados, dois não compareceram, deixando representações sem suplência e reduzindo ainda mais o já limitado peso dessas categorias no processo de participação no colegiado.
Espelho 2 Foram eleitos representantes dos institutos Restinga e Cidade Verde, nas vagas para entidades ambientalistas. A cadeira comunidade científica ficou com a UniFamec (Centro de Educação Metropolitana). Já a Associação de Agricultores e Piscicultores de Cancelas/Jordão vai ocupar a vaga dos representantes dos trabalhadores do setor de atividades primárias.
Espelho 3 O assento com direito a voto das entidades sindicais de trabalhadores no COMAM ficou com o Sindborracha, Sindicato dos Trabalhadores dos Artefatos de Borracha de Camaçari e Simões Filho. Representante dos trabalhadores de um setor altamente poluidor, o Sindborracha vai precisar mostrar atuação compromissada com a luta ambiental no COMAM. O outro candidato habilitado, que estranhamente gazetou, foi o Sispec, o Sindicato dos Professores da Rede Pública.
Espelho 4 Coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur), processo eleitoral teve seu formato criticado por parte dos representantes. Sem acatar mudanças, vaga destinada a associações de moradores terminou em empate, com cada uma das três habilitadas assegurando o voto na sua entidade, como previam as quixas.
Espelho 5 Disputa se resumiu ao Conselho Comunitário de Itacimirim e Barra do Pojuca (Conseg), Associação dos Moradores dos Condomínios de Guarajuba (Ascon) e Associação dos moradores do condomínio Busca Vida. Essas duas últimas associações são conhecidas por formarem uma espécie de condados formados por moradores da classe A e mais focadas em melhorias nos seus espaços.
Espelho 6 Apesar de Camaçari somar dezenas de entidades, desarticulação política e/ou descaso com o fortalecimento das associações de moradores no conselho, movimento deixa o COMAM com uma representação distante dos movimentos populares que tanto a administração do alcaide Caetano diz defender.
Espelho 7 O resultado foi a eleição da associação de Busca Vida, beneficiada pelo critério do desempate por ser a mais antiga. Questionamentos contra o condomínio Busca Vida não são poucos. Dificuldades de não moradores do condomínio, em especial de Vila de Abrantes, acessarem a praia e áreas de preservação, e avanço sobre espaços de marinha estão entre as queixas amplamente divulgadas na imprensa.
Espelho 8 Colegiado tripartite com 18 membros e importante na definição da política ambiental de Camaçari, o COMAM tem outros 6 representantes do governo e número igual no setor produtivo, ainda sem escolhas.
Acredite Os senadores Jaques Wagner (PT), Otto Alencar e Angelo Coronel, ambos do PSD, somam anualmente pouco mais de R$ 205 milhões em recursos disponíveis para gastarem com emendas parlamentares na Bahia.
Acredite 2 Volume de poder de cada um dos senadores, R$ 68,5 milhões, não fica muito longe da gorda bolsa dos 39 deputados federais baianos. Os R$ 48,1 milhões de emendas parlamentares que os federais têm direito para gastar como desejarem, é quase metade de um mês do orçamento de Camaçari.
Acredite 3 Os quase R$ 2 bilhões das chamadas emendas pix, soma das cotas dos 39 representares da Bahia no Congresso, talvez explique as ajudas estranhas, como o R$ 1,5 milhão destinado pela deputada Ivoneide Caetano (PT) para ajudar na construção do novo prédio do Ministério Público de Camaçari. Valor equivale a quase 20% dos R$ 8,7 milhões que a parlamentar distribuiu para ações em Camaçari neste ano, segundo informou sua própria assessoria.
João Leite Filho joaoleite01@gmail.com – Editor
18/agosto/2025 Fechamento: 12h05