A fundação do município de Camaçari e seu protagonismo anônimo na história
O aniversário de fundação do município de Camaçari, ocorreu no dia 29 de maio de 1558. Essa data, é confundida pela população e principalmente pelas autoridades locais do Executivo e do Legislativo local, como se fosse a mesma data da sua emancipação política.
Ocorre que no dia 29 de maio de 2026, Camaçari completou 468 anos de fundação, e no dia 28 de setembro deste ano celebra seus 268 anos de emancipação política.
Os marcos fundantes do município de Camaçari têm como referências históricas a Fundação do Aldeamento do Espírito Santo, bem como da ereção da Igreja do Espírito Santo, e a Festa do Divino Espírito Santo de Abrantes.
O nome do aldeamento da Igreja e a Festa do Divino Espírito Santo, se deram em consagração ao dia de Pentecostes, dia de celebração ao Espírito Santo, símbolo de criação da Igreja Cristã, e padroeiro da antiga povoação que deu origem ao município de Camaçari. Por se tratar de uma data móvel do calendário litúrgico católico, este ano a Festa do Divino Espírito Santo de Abrantes aconteceu no dia 24 de maio.
A Festa do Divino Espírito Santo de Abrantes é uma das mais tradicionais manifestações religiosas e culturais do Brasil e deveria ser reconhecida como patrimônio cultural imaterial nos âmbitos nacional, estadual e sobretudo municipal.
O Município de Camaçari carece urgentemente do reconhecimento de sua data de fundação, e, consequentemente, assumir sua justa e honrosa posição de uma das cidades mais antigas do Brasil que atuou no processo de consolidação da Independência do Brasil conhecido como nosso glorioso Dia Dois de Julho.
O Recôncavo Norte foi representado nesse processo histórico pela população de Camaçari, composta por indígenas, mestiços, africanos, afro-brasileiros, e a elite dos senhores de terras e engenhos da Vila de Abrantes, a exemplo do quartel-mestre da Vila de Abrantes, patente de Antônio de Souza Guimarães; do sargento-mor do Batalhão da Torre de Garcia D’Ávila, Antônio Rodrigues de Carvalho, proprietário da Fazenda Tororó em Monte Gordo.
Destaque nessa luta pela Independência é o caboclo tupinambá Joaquim Eusébio de Santana, Capitão-mor dos indígenas da Vila de Abrantes, morto em combate e ainda pouco conhecido, apesar da sua importância.
Lista também inclui enrtre os nossos heróis o capitão João Ferreira Lustosa, proprietário de fazenda e terras em Monte Gordo; e Luís da Costa Guimarães, proprietário do engenho Olhos D’Água e da Fazenda Kamassary, onde hoje é a sede do município.
Os documentos históricos também mostram a participação feminina de Rosa Ladislau de Figueiredo e Mello, uma das primeiras farmacêuticas diplomadas no Brasil, e filha do latifundiário e boticário, João Ladislau de Figueiredo e Mello.
Diego de Jesus Copque – diegokopke@gmail.com é professor, historiador, pesquisador da história da Bahia, sócio efetivo do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e autor dos livros Do Joanes ao Jacuípe: uma história de muitas querelas, tensões e disputas locais, A presença do Recôncavo Norte da Bahia na consolidação da Independência do Brasil e De Benedicta & Tibério a Mãe Stella de Oxóssi: a vida em tempo de viver (1850–2025).
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27setembro2026