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O golpe vem aí ou de como a oposição quer tomar o mandato do prefeito de Feira


José Carlos Teixeira é jornalista e especialista em marketing político, mídia, comportamento eleitoral e opinião pública

"Mamãe, não quero ser prefeito Pode ser que eu seja eleito E alguém pode querer me assassinar” (Cowboy Fora da Lei, de Raul Seixas)


Suspense. Mistério. Violência. Empolgante. Instigante. Comovente. Adrenalina pura! O segundo semestre promete grandes emoções! Preparem seus corações! Peça a seu médico uma receitinha de rivotril ou, se preferir, encomende na farmácia alguns frascos de maracujina da marca de sua preferência.


Não, amável leitora, não é mais um lançamento da Netflix que vem por aí.  O que vai bombar mesmo neste segundo semestre, em Feira de Santana, chacoalhando os corações e apertando as mentes dos feirenses é mais uma – acredito que será a última, mas nunca se sabe - tentativa de resolver a eleição municipal de 2020.


Bom, se o enredo não apresentar tantas emoções, certamente renderá cenas hilariantes, como nas melhores óperas-bufas.


Aos fatos: nos termos da lei, a eleição foi vencida pelo emedebista Colbert Martins Filho no segundo turno, mas até hoje a oposição não aceitou a derrota e segue tentando reverter o sagrado resultado das urnas, mesmo depois do apito final da arbitragem.


Vários recursos contra o resultado do pleito já foram movidos na Justiça Eleitoral, sem sucesso. Agora, na Câmara de Vereadores, prepara-se uma solução final: decretar o impeachment do prefeito, afastá-lo do cargo, cassar-lhe o mandato e declarar nula a decisão tomada por 164.831 eleitores (o equivalente a 54,42% dos votos úteis) que deram a Colbert Filho o direito de governar o município por quatro anos.


A manobra já foi anunciada pelo próprio presidente da Casa, vereador Fernando Torres (PSD). Em declarações à imprensa e em pronunciamento na tribuna, ele informou ter recebido mais de uma dezena de pedidos de impeachment do prefeito e garantiu: vai dar andamento em todos eles, pois é preciso tirar o chefe do Executivo do cargo.      


Antes de tomar tal decisão, porém, conforme informou, vai ouvir a opinião da APLB (o aguerrido sindicato dos trabalhadores na educação, em guerra permanente com o prefeito e cuja presidente foi transformada em vereadora ad hoc, com direito a lugar na mesa e fala durante o encaminhamento de votações nas sessões da Câmara). Vai também conversar com o vice-prefeito Fernando de Fabinho, que é o primeiro na linha sucessória – o segundo é o presidente da Câmara, no caso, o próprio Torres.


O resultado da descabida consulta à APLB já se sabe de antemão: impincha! Já a conversa com o vice-prefeito tem outro viés: é que não se pode trocar seis por meia dúzia, explicou o presidente da Câmara. Ou seja, o vice vai ter que se ajustar à vontade do grupo que faz oposição ao prefeito, caso contrário, acabará também sendo impinchado.


Mas, e qual a justificativa para a Câmara querer o impedimento do prefeito? Como bem sabe o caro leitor, o impeachment pode ocorrer quando o chefe do Executivo, seja prefeito, presidente da República ou governador, comete crimes de responsabilidade, definidos na Constituição.


A Câmara de Feira, porém, sempre na vanguarda, parece ter encontrado um novo motivo legal: a administração é pífia e o prefeito não ouve a população, alegou o presidente da Câmara. Se a moda pegar...


Na real: até agora, a justificativa para o impeachment do prefeito de Feira é tão verdadeira quanto uma cédula de três reais. Mas o processo, garantem o presidente da Câmara e os vereadores que ele lidera, vai andar. E não vai ficar pedra sobre pedra. Aguardem cenas dos próximos capítulos.


José Carlos Teixeira  zecarlosteixeira@uol.com.br é jornalista e especialista em marketing político, mídia, comportamento eleitoral e opinião pública 


Opiniões e conceitos expressos nos artigos são de responsabilidade do autor

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